quarta-feira

Marcia prepara Mobi e Lucio Battisti. Evocação de Al Berto

O trabalho liberta

Mas a música liberta plenamente, ou quAse.

Ficam todos.







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Este Não-Futuro que a Gente Vive

Será que nos resta muito depois disto tudo, destes dias assim, deste não-futuro que a gente vive? (...) Bom, tudo seria mais fácil se eu tivesse um curso, um motorista a conduzir o meu carro, e usasse gravatas sempre. Às vezes uso, mas é diferente usar uma gravata no pescoço e usá-la na cabeça. Tudo aconteceu a partir do momento em que eu perdi a noção dos valores. Todos os valores se me gastaram, mesmo à minha frente. O dinheiro gasta-se, o corpo gasta-se. A memória. (...) Não me atrai ser banqueiro, ter dinheiro. Há pessoas diferentes. Atrai-me o outro lado da vida, o outro lado do mar, alguma coisa perfeita, um dia que tenha uma manhã com muito orvalho, restos de geada… De resto, não tenho grandes projectos. Acho que o planeta está perdido e que, provavelmente, a hipótese de António José Saraiva está certa: é melhor que isto se estrague mais um bocadinho, para ver se as pessoas têm mais tempo para olhar para os outros. 

Al Berto, in "Entrevista à revista Ler (1989)" 

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Cavaco: o rancoroso e o fel em Castelo de Vide

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O ciúme e a inveja doentias relativamente a Marcelo e a raiva por ter saído pela porta baixa da política nacional - fez de cavaco o agente político mais ressabiado e rancoroso deste último século em portugal. 

Velho, feio, invejoso, egoísta.. Cavaco e o fel.

- ressabiado, rancoroso e vingativo. 

- No fundo, um tipo medíocre não muda. Morrerá como nasceu: mesquinho e saloio provando nunca estar à altura de Portugal e dos portugueses.

- O belo Alto Alentejo e os alentejanos não mereciam este apoucamento que só empobrece moralmente mais os portugueses. 

- Sucede, porém, que nem todos os alentejanos pensam assim, pois é para eles este cavaco de fim de ciclo, rancoroso e ressabiado por ver em Belém um actor político com o nível de Marcelo, ainda por cima do mesmo partido ou área ideológica e família política. 

- É demasiada inveja num homem só. 

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sábado

O País Relativo - por Alexandre O´Neill -





O PAÍS RELATIVO
 
 
País por conhecer, por escrever, por ler...
 
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País purista a prosear bonito,
a versejar tão chique e tão pudico,
enquanto a língua portuguesa se vai rindo,
galhofeira, comigo.
 
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País que me pede livros andejantes
com o dedo, hirto, a correr as estantes.
 
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País engravatado todo o ano
e a assoar-se na gravata por engano.
 
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País onde qualquer palerma diz,
a afastar do busílis o nariz:
-Não, não é para mim este país!
mas quem é que bàquestica sem lavar
o sovaco que lhe dá o ar?
 
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Entrecheiram-se, hostis, os mil narizes
que há neste país.
 
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País do cibinho mastigado
devagarinho.
 
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País amador do rapapé,
do meter butes e do parlapié,
que se espaneja, cobertas as miúdas,
e as desleixa quando já ventrudas.
 
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O incrível país da minha tia,
trémulo de bondade e de aletria.
 
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Moroso país da surda cólera,
de repente que se quer feliz.
 
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Já sabemos, país, que és um homenzinho...
 
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País tunante que diz que passa a vida
a meter entre parêntesis a cedilha.
 
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A damisela passeia
no país da alcateia,
tão exterior a si mesma
que não é senão a fome
com que este país a come.
 
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País do eufemismo, à morte dia a dia
pergunta mesureiro: - Como vai a vida?
 
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País dos gigantones que passeiam
a importância e o papelão,
inaugurando esguichos no engonço
do gesto e do chavão.
 
E ainda há quem os ouça, quem os leia,
lhes agradeça a fontanária ideia!
 
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Corre boleada, pelo azul,
a frota de nuvens do país.
 
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País desconfiado a reolhar para cima
dum ombro que, com razão duvida.
 
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Este país que viaja a meu lado,
vai transido mas transistorizado.
 
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Nhurro país que nunca se desdiz.
 
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Cedilhado o cê, país, não te revejas
na cedilha, que a palavra urge.
 
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Este país, enquanto se alivia,
manda-nos à mãe, à irmã, à tia,
a nós e à tirania,
sem perder tempo nem caligrafia.
 
                        *
 
Nesta mosquitomaquia
que é a vida,
ó país,
que parece comprida!
 
                        *
 
A Santa Paciência, país, a tua padroeira,

já perde a paciência à nossa cabeceira.
 
                        *
 
País pobrete e nada alegrete,
baú fechado com um aloquete,
que entre dois sudários não contém senão
a triste maçã do coração.
 
                        *
 
Que Santa Sulipanta nos conforte
na má vida, país, na boa morte!
 
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País das troncas e delongas ao telefone
com mil cavilhas para cada nome.
 
                        *
 
De ramona, país, que de viagens
tens, tão contrafeito...
 
                        *
 
Embezerra, país, que bem mereces,
prepara, no mutismo, teus efes e teus erres.
 
                        *
 
Desaninhada a perdiz,
não a discutas, país!
Espirra-lhe a morte pra cima
com os dois canos do nariz!
 
                        *
 
Um país maluco de andorinhas
tesourando as nossas cabecinhas
de enfermiços meninos, roda-viva
em que entrássemos de corpo e alegria!
 
                        *
 
Estrela trepa trepa pelo vento fagueiro
e ao país que te espreita, vê lá se o vês inteiro.
 
Hexágono de papel que o meu pai pôs no ar,
já o passo a meu filho, cansado de o olhar...
 
                        *
                       
No sumapau seboso da terceira,
contigo viajei, ó país por lavar,
aturei-te o arroto, o pivete, a coceira,
a conversa pancrácia e o jeito alvar.
 
 
Senhor do meu nariz, franzi-te a sobrancelha;
entornado de sono, resvalaste para mim.
Mas também me ofereceste a cordial botelha,
empinada que foi, tal e qual clarim!
 
            (Feira Cabisbaixa – 1965)
 
 

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quinta-feira

Nas eleições de 1958, em Portugal...



... O velho "botas" também declarou ter ganho por maioria absurda. 

A Angola da família Dos santos, de que joão loureiro é o herdeiro político, também afinou pelo mesmo diapasão. 

No fundo, a escola política não diverge muito: afinal, qual é a diferença duma ditadura de direita (Salazar) para uma ditadura (marxista-leninista)?!

Pobres angolanos!!!


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Vergílio prepara - Delphonics na sombra fugidia do Verão - e Paul Randolph

Resultado de imagem para Parque do Moinho, restelo
Há o desejo, que não tem limite, e há o que se alcança, que o tem. A felicidade consiste em fazer coincidir os dois.





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Hey! Love
Hey love (hey love)
Turn your head around (turn your head around)
Take off that frown
Your in love
Wake up (wake up)
Open the door (open the door)
Don't cry no more
Your in love
You know we need each other
And you girl
Yes you should be lovin' me
Lets go on together
We'd be happy
So happy
Hey love (hey love)
Its a new day (its a new day)
No time to play
We're in love
Wake up (wake up)
In your own way (in your own way)
Than you might say
Your in love
Hey love
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Sir Paul Randolph - FicA.

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terça-feira

Árvores vestidas pelo homem - amorosas, coloridas e ternu...

... rentas - a contrastar com o mundo sacana que criámos e temos no dia-a-dia.


Foto de Rui Matos.

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