domingo

Direitos e reconhecimentos de direitos

Enquanto houver a necessidade de sinalizar este Dia - para lembrarmos a todos que diariamente os direitos humanos básicos são violados, um pouco por todo o mundo, é como querermos consagrar o direito ao O2, ter acesso à água potável e ter liberdade de movimentos. 

Reconhecer tudo isso é admitir que, afinal, ainda não saímos do estádio da barbárie e caminhamos em direcção a algo ainda pré-histórico. Nesta fase, seria suposto estarmos a discutir ou a reconhecer outro tipo de direitos e/ou condições de vida, garantidos que foram os direitos básicos à sobrevivência. 

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sexta-feira

Imagens da conjuntura que espelham a corrupção que graça entre nós


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Dia Internacional Contra a Corrupção

Resultado de imagem para dia contra a corrupçãoNota prévia: Se pensarmos na justiça económica, financeira e social em Portugal temos logo uma fotografia do que é ou representa a corrupção em Portugal. Quantos banqueiros foram presos em Portugal? E quantos maçons, muitos deles envolvidos em actos de corrupção (activa e passiva), já foram julgados e condenados? A percepção em Portugal é que com dinheiro e advogados habilidosos ninguém é detido e a corrupção compensa. As instituições judiciárias queixam-se de falta de recursos humanos e informáticos para desenvolver esse combate na sociedade. Uma coisa é certa, em Portugal anda estamos na pré-história desse combate, pelo que a corrupção lavra entre os meios político, económico e financeiro - levando benefícios a todos os players e, mais grave, o país depara-se com ordenados escandalosos na administração da CGD - e é o próprio PM que se queixa de que esse valores foram fixados pela lei - e nada se faz para alterar uma lei iníqua que deveria ter sido alterada em sede legislativa. Afinal, os deputados da maioria têm aquilo que se chama "iniciativa legislativa" para alterar e propôr novos projectos de lei, mas se não o fazem é por algum motivo. Eis uma boa questão para o chefe da geringonça num dia que seria suposto ser mais de acção e menos de fachada. 

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O Dia Internacional Contra a Corrupção observa-se a 9 de dezembro.
A data foi instituída pela ONU com a assinatura da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, a 9 de novembro de 2003. A Convenção entrou em vigor em 2005.
O objetivo da data é consciencializar sobre a corrupção a nível mundial e enaltecer o papel da ONU no combate à corrupção. Neste dia incentiva-se à denúncia de corrupção, à divulgação da data nas redes sociais, à criação de ações e de eventos de combate à corrupção e à doação de fundos a favor dos mais desprotegidos.
Portugal surge na 14ª posição dos países mais corruptos da União Europeia. A nível mundial, Portugal é o 28º país menos corrupto do mundo (dados de 2015), segundo a Agência de Transparência Mundial que analisa a corrupção anualmente em 170 países do globo.
Os países nórdicos são considerados os menos corruptos do mundo (1º Dinamarca, 2º Finlândia e 3º Suécia).
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Giorgio de Chirico - Mistério e melancolia -

A, tst.

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quinta-feira

Pinturas de Mário Cesariny

Dias que Voam 

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Amo-te-Arroio

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Homem dos livros. Alfarrabista

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Evocação de Mário Cesariny -

Nota prévia: Vale sempre a pena regressar ao pensamento surrealista de um cidadão excepcional, de Benfica, que deixou um traço indelével no mundo em que viveu. 

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Homenagem a Cesariny no 10.º aniversário da sua morte

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Lembra-te

Lembra-te 
que todos os momentos 
que nos coroaram 
todas as estradas 
radiosas que abrimos 
irão achando sem fim 
seu ansioso lugar 
seu botão de florir 
o horizonte 
e que dessa procura 
extenuante e precisa 
não teremos sinal 
senão o de saber 
que irá por onde fomos 
um para o outro 
vividos 

Mário Cesariny, in "Pena Capital" 
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Para os Lábios que o Homem Faz

Para os lábios 
que o homem faz 
que atraem beijos 
ao redor do mundo 
ficou na nossa memória 
em qualquer parte    a qualquer hora 
um pedaço 
de pão 

Promessa 
que se cumpre 
que alimenta 
o mundo 

Olhos 
a exigir 
uma floresta 

Mário Cesariny, in "Pena Capital" 
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Um Grande Utensílio de Amor

um grande utensílio de amor 
meia laranja de alegria 
dez toneladas de suor 
um minuto de geometria 

quatro rimas sem coração 
dois desastres sem novidade 
um preto que vai para o sertão 
um branco que vem à cidade 

uma meia-tinta no sol 
cinco dias de angústia no foro 
o cigarro a descer o paiol 
a trepanação do touro 

mil bocas a ver e a contar 
uma altura de fazer turismo 
um arranha-céus a ripar 
meia-quarta de cristianismo 

uma prancha sem porta sem escada 
um grifo nas linhas da mão 
uma Ibéria muito desgraçada 
um Rossio de solidão 

Mário Cesariny, in 'Discurso Sobre a Reabilitação do Real Quotidiano

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terça-feira

A Torre de Babel - por Pieter Brueguel -

“Vinde! Construamos uma cidade e uma torre cujo ápice penetre nos céus! Dessa forma, nosso nome será honrado por todos e jamais seremos dispersos pela face da terra!” (Gênesis 11:4).[2] [3]A pessoa no primeiro plano é provavelmente Nimrod, que se diz foi quem ordenou a construção da Torre. (...)

- Cfr., mais inf., aqui.

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A torre de babel é de um detalhamento assombroso. Podemos ver os operários trabalhando e os guindastes erguendo as pedras da construção, que nos dá uma amostra da tecnologia da época. “Nesses quadros, Bruegel mostra as obras de construção não como um acontecimento longínquo, mas como um empreendimento contemporâneo. O fato da pintura retratar a Torre perto de um rio é porque Brugel sabia que o transporte de grandes mercadorias como as pedras eram feitas por via fluvial. A Torre é o símbolo cristão de orgulho.”

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segunda-feira

Regresso a Giorgio Chirico - e à nostálgia do infinito -



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POESIA CUBANA DE RESISTÊNCIA


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POESIA CUBANA DE RESISTÊNCIA - Quatro Traduções
Apresento, abaixo, quatro poemas publicados na Revista Islas, Volume IX, Número 4, Out.Dez/1967, da Universidad Central de Las Villas, Santa Clara, Cuba, organizada por Samuel Feijóo, por mim traduzidos.
Cfr, aqui.
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IMORTALIDADE
(Manuel Navarro Lima – tradução: Goulart Gomes)

Enquanto possa mirar-se teu rosto destruído
e sobre ele erigir-se uma lágrima forte;
enquanto possa a luz, tão tua, contemplar-te
iluminando o fausto derradeiro e tua fronte

ainda não será toda a morte
senão um pouco de morte...
Nada mais que um pouco de morte!

Quando levemos teu ataúde nos ombros
e na casa quedem chorando as mulheres
e chorem os homens a dor infinita
de perder-te...

ainda não será toda a morte
senão um pouco de morte...
Nada mais que um pouco de morte!

Quando já estejas debaixo da terra
em vermes e poeira convertendo-se;
quando já estejas coberto de água negra
imerso na sombra para sempre...

ainda não será toda a morte
senão um pouco de morte...
Nada mais que um pouco de morte!

Quando os que hoje te choram e os que, tristes calam
ao ver  como tem caído teus estandartes verdes
amanhã não recordem tua juventude radiante
nem o claro frescor de tua presença alegre...

Então, sim, será toda a morte!
Toda a morte!

Mas se estás decidido, de cabeça erguida
a derramar teu sangue de forma dolorida
e morres batalhando para libertar o Homem
dos frios grilhões que o ferem...

Ainda que já estejas caído...
Ainda que já estejas inerte...
Para ti não haverá a morte!
Não haverá morte!
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MANHÃ
(Regino Pedroso - tradução: Goulart Gomes)

Como forjamos o ferro, forjaremos dias novos.

Suados e fortes
desceremos às profundas
e arrancaremos de suas entranhas novas conquistas.

Ascenderemos às montanhas
e o Sol nos encherá de vida:
seremos pedaços do Sol!

Forjaremos outra vida, grandiosa e humana;
a eternizaremos com um potente e unânime esforço.
E sob o olhar virgem dos amanheceres,
cantaremos à força criadora do músculo
e à harmonia fraterna das almas

Muitos,
e seremos só um.
Para o grande canto solo teremos uma voz.
Cantaremos ao ferro,
à beleza forte e nova da máquina.
à bigorna, aos tratores
que violam a terra em cúpula mecânica;
à turbina, ao dínamo;
à fuga infinita dos trilhos
- sistema nervoso de aço por onde circula a vida.
Os canais de luz dos cabos elétricos
- células cerebrais do mundo,
onde vibra a força.

Cantaremos ao ferro, porque o mundo é de ferro.
e somos filhos do ferro.
Mas estaremos sobre a máquina.

Um sentimento novo surgirá em nossos peitos
e será tão imenso
que para amá-lo a terra se transformará em um coração.
Aonde estará, então, nossa amargura?
Aonde estes dias miseráveis e inválidos?

Como forjamos o ferro, forjaremos outro século.
Coroados de júbilos,
os novos dias ver-nos-ão
musculosos  e fortes, desfilar ao Sol.

Veremos os campos, as cidades e as oficinas:
cada instrumento de trabalho será como uma arma:
- uma serra, uma chave, um martelo, uma foice - 
e ocuparemos a terra como um exército em marcha,
saudando a vida com nosso canto unânime!


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SANDINO ESTÁ CHAMANDO
(Rosa Hilda Zell – tradução: Goulart Gomes)

Nesta hora em que dizemos versos
(meia-noite ou manhã: sabes quando?
meia-noite de ontem: tu sabes quando!)
nesta hora em que dizemos versos
com metade da alma em outra parte,
esperando,
espiando,
advinhando
o temos dos pélagos perversos
porque um barco está soltando sua amarra
háa uma voz quieta que está chamando
mais alto que a tua, está chamando
por nós, também, está chamando
Sandino está chamando.

Sandino está chamando: já é manhã
mas ainda não é ontem. (Tu sabes quando...)
O que não é, é hoje. É a manhã
vermelha e negra. É um dia que já foi
e, contudo, não é. Primeiro do ano,
9 de abril ou 26 de julho,
um barco, o negro mar está cruzando.
Não diga versos já, que está chamando,
com sua voz profunda, está chamando,
por nós, também, está chamando:
a Liberdade, irmão, está chamando,
e se chama à Glória ou à Morte
não importa. Ouve: é sua voz, e está chamando


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LA HABANA UM DIA
(Nivaria Tejera – tradução: Goulart Gomes)

Um dia
minha glória atingirá a Manchúria...
um bom dia
povo meu
tu crescerás sobre o mar...

logo, um dia
os trabalhadores felizes pensarão em sua cidade
inventarão rampas infinitas
parques transparentes
para que as crianças corram
por espaços livres
indiferentes aos ruídos da cidade
à impaciência da cidade...
Um dia
minha cidade
te cansarás
dessa rigidez estranha
dos dominadores...

(Minha cidade de La Habana
manietada
não se assemelha ao mar
não se assemelha ao céu
nem à terra
nem ao fogo
não parece a minha ilha
despojada
serena
nem ao ser insular
natural
sorridente)

Um dia
minha cidade...
o mar te cobrirá
crescerá sobre ti
o mar...

E teus trabalhadores
te construirão no mundo
Goulart Gomes
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PATRIA. POEMA DE MIGUEL BARNET LANZA

PATRIA. 

POEMA DE MIGUEL BARNET LANZA


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No puedo esperar más
digo y vuelvo a repetir ahora
que cada día que pasa
quiero más este viento debajo de las hojas.
Esta casa que mis ojos han visto diariamente
que yo sabré cuidar
y la sombra del jagüey
y la tierra.
Pero no basta. Ahora van a oírme una voz
templada en el fuego
porque han preguntado por mí.
Y me parece que se trata
de un amigo cercano
y mi corazón me entiende
y yo sé que a mi lado, en los pueblos, lejos, en el campo
hay una fuerza como el viento
que está dispuesta a defender la vida.
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quinta-feira

Regresso a Vergílio Ferreira - Na tua fa..

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O regresso a Vergílio FerreirA é, por definição, a descoberta do eu e a definição do outro, aliado à insuficiência da comunicabilidade humana, como que a provar que ou as palavras estão gastas ou o que elas significam ou representam esbarram naquela porta: a da incomunicabilidade. No fundo, o regresso ao autor é sempre uma tentativa de nos superarmos, um apelo à transcendência que, por vezes, está à distância duma mão. 


Resultado de imagem para vergílio ferreira, na tua faceem Na TuA Face é ficcionada a problemática existencial (o amor, a morte, a solidão, a evidência da beleza, a descoberta do eu e a definição do outro, a insuficiência da palavra e a incomunicabilidade humana, e a experiência da doença e da dissolução do corpo, a transcendência). Mas aqui a história do pintor (Daniel) é de certo modo a história da vocação frustrada de Vergílio Ferreira que ao longo da “Conta-corrente” foi repetindo: «Não preferi a minha arte. Calhou-me. Ou talvez seja essa a sorte de todas as preferências: escolhe-se sempre o que nos coube, ou seja o que se é. Mas a verdade é que, se na escolha se escolhesse, escolheria a pintura».

"Não é fácil falar de amor – do amor – num romance como Na tua face que se move num complexo jogo de conexões e espelhos em que todas as coisas parecem ter o seu duplo, em que tudo parece oscilar entre o que se vê e o que se imagina ver, entre o que se vive e o que se evoca. Não é fácil determinar o lugar que o amor aí ocupa se não o considerarmos também ele como sentimento duplo, passível de ser questionado e olhado nas suas duas faces: o real e o irreal, o visível e o invisível, o possível e o impossível. Tudo nesse amor evocado por Daniel é duplo: Ângela e Bárbara são duas faces da mesma moeda que o acompanharão sempre. Ângela será a presença constante na conjugalidade partilhada da casa, dos filhos, das férias, mas também das leituras, das conversas, dos momentos de dor e silêncio… Bárbara será o objecto da evocação obsessiva; manter-se-á presente na memória de um breve instante, no eco de um chamamento, como manifestação de plenitude, de perfeição, de eternidade, a faceque se vê, mas só no impossível:

“Então olhei-a em deslumbramento e terror no intocável do seu ser. Queria ver-lhe os olhos verdadeiros e a boca e a face, mas não estavam lá. Porque eram só uma aparição difusa incontornável como a luz do ar que não se via e era só iluminação. (…) Via-lhe a face mas só no impossível como lha vejo agora” (pp.24-24).

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quarta-feira

Regresso a António Ramos Rosa - A FestA ....



A Festa do Silêncio

Escuto na palavra a festa do silêncio. 
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se. 
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas. 
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas. 
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma. 

Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia, 
o ar prolonga. A brancura é o caminho. 
Surpresa e não surpresa: a simples respiração. 
Relações, variações, nada mais. Nada se cria. 
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça. 

Nada é inacessível no silêncio ou no poema. 
É aqui a abóbada transparente, o vento principia. 
No centro do dia há uma fonte de água clara. 
Se digo árvore a árvore em mim respira. 
Vivo na delícia nua da inocência aberta. 

António Ramos Rosa, in "Volante Verde" 

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Evocação de Herberto Helder -

Escreve-se um poema devido à suspeitA de que enquanto o escrevemos algo vAi acontecer, umA coisa formidável, algo que nos transformará, que transformarÁ tudo.


Resultado de imagem para herberto helderJornal Público, 4 Dezembro 1990



Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
— E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
— não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primaverA inteira aprendo
Resultado de imagem para moinhos santana, resteloos trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,

que te procurAm.

(excerto do poema «Tríptico», publicado em A Colher na Boca, 1961)
Cfr., biografia do autor, aqui.

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Regresso a Bosch - Morte do Avarento -


(...) A cena desenrola-se no interior de uma casa, com o leito de morte de um avarento disposto obliquamente. Vê-se o moribundo dividido entre o anjo, que lhe assiná-la um crucifixo, colocado numa janela no alto e da qual emana a luz, e um demónio que aparece por debaixo da cortina com um saco de dinheiro na mão. Diz-se que o diabo está a roubar o dinheiro e o avaro está mais preocupado com este facto do que com a sua salvação; também se diz que é ao contrário, que o demónio lhe está a oferecer esse dinheiro para comprar sua alma, e este tem dúvidas se aceita o dinheiro ou escolhe o crucifixo, isto é, a salvação.
De lado esquerdo, através de uma porta semi-aberta, aparece a morte, representada como um esqueleto que se apresenta a arremessar uma lança.
Aos pés da cama está um velho, o mesmo avarento, com o Rosário entre os dedos, que está repondo moedas dentro de um cofre cheio de animais monstruosos. (via Wiki, aqui) 
(...)

Errata: onde se lê assiná-la (a vermelho) deverá ler-se assinala.

A wiki tem virtudes, mas são virtudes com alguns erros. Não há bela sem senão. 
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terça-feira

Fazer uma "perninha": a vingança é um prato que serve a frio

Fazer uma "perninha": a vingança é um prato que serve a frio

Recentemente o CR/7 referiu que talvez viesse a fazer uma "perninha" no SCP. A ideia seria fazer um elogio a Alvalade, mas, na realidade, as suas declarações apoucaram o seu velho clube, já que o seu eventual regresso a Alvalade seria como dirigente e não como jogador.
Hoje, curiosamente, o RM, a equipa do CR/7, não está a demonstrar uma superioridade relativamente ao Sporting, mas como a vingança é um prato que se serve a frio - é o próprio Sporting e a sua dinâmica de jogo - que estão a encarregar-se de apagar por completo a prestação da estrela do Real Madrid.
Eis uma perninha que mais parece uma prótese...
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Extração da pedra da loucura - por Bosch prepara Bruegel -

Todos sabemos que uma parte de nós pensa racionalmente, a outra parte de nós delira, e é nesse delirar que pode estar a energia criadora para pensar fora da caixa e concluir extraordinárias realizações. 

Essa loucura, que encerra medos e incertezas, persegue-nos a cada momento e nunca sabemos como iremos estar ou ser avaliados pelos ditos "normais" à medida que o tempo passa e avalia as cicatrizes que vamos acumulando no rosto. Para nos sacar essa "loucura maior" alguém qualificado tirava a pedra da loucura do cérebro com uma pinça a fim de corrigir alguns excessos e desgoverno do cérebro. 

Bosch - viu tudo isso desta forma. 

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Hieronymus Bosch, A Extração da Pedra da Loucura, 1475-80

No fundo, a insanidade está latente em tudo o que o homem pensa, diz ou faz. E é essa loucura - consciente e de certo modo consentida - que é comum a todo o homem, ainda que de forma imperceptível.

Bruegel_pedra_da_loucura.jpg

Bruegel, o Velho, A Extração da Pedra da Loucura, 1568
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segunda-feira

Evocação de Mário Cesariny

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Em Todas as Ruas te Encontro

(mAl)
Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 
conheço tão bem o teu corpo 
sonhei tanto a tua figura 
que é de olhos fechados que eu ando 
a limitar a tua altura 
e bebo a água e sorvo o ar 
que te atravessou a cintura 
tanto    tão perto    tão real 
que o meu corpo se transfigura 
e toca o seu próprio elemento 
num corpo que já não é seu 
num rio que desapareceu 
onde um braço teu me procura 

Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 
Mário Cesariny, in "Pena Capital" 




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O Diabo veste Passos Coelho: um PSD sem pilhas no comando



A semana passada foi uma semana negra para Passos Coelho e para o seu PSD, que teima em não saber fazer oposição nem querer pensar numa estratégia para repensar as suas ideias e projectos para Portugal. Nem sequer, como deveria, equaciona fazer um congresso (extraordinário) para fazer emergir as suas elites de modo a gerar a necessária concorrência interna a fim de fomentar a competição saudável entre ideias e agentes da mudança que possam fazer o virar de página. Sim, virar de página - porquanto Passos Coelho está demasiado conotado com os 4 anos de austeridade imposta aos portugueses (2011-15), a qual se traduziu em impostos sobre impostos e mais impostos, provocando mais um milhão de pobres e meio milhão de quadros qualificados que foram convidados a emigrar ocultando, assim, as estatísticas acerca do desemprego em Portugal. 

Mas vamos por partes para avaliar em que termos a semana passada queimou ainda mais o já desconsiderado Passos coelho. Ao tempo da troika, Passos tinha a Europa de Schaubel a seu favor, pois quem não se lembra do sinistro ministro alemão das Finanças organizar pequenas conferências para passear a sua novel caniche: Mª Luís Albuquerque - que ainda acreditava na chamada "saída limpa", ainda que para isso tivesse de varrer para baixo do tapete o problemático caso Banif, que teve de ser resolvido pelo Governo da geringonça uns meses depois daquele cair em desgraça pela nova maioria (parlamentar) aritmética, que então se formara para destituir o delegado da troika em Lisboa: Passos coelho/Vitor gaspar/Mª L. Albuquerque. Cavaco teve de ceder, Portas percebeu que o seu fim na coligação tinha chegado e resolveu ir fazer dinheiro para a privada à custa dos contactos granjeados na esfera política - que passou a alocar ao serviço da Mota Engil, tamanha a sua ética e moral. 

Por outro lado, quem não se lembra de ver passos humilhar o comentador Marcelo, a quem chamou de "cata-vento". Passos fez até um congresso para definir o perfil político do candidato a ser apoiado pelo PSD para Belém, e nesse perfil não encaixava, naturalmente, o prof. Marcelo. Contudo, este conseguiu impor-se ao país sem o apoio de qualquer máquina partidária, e assim saiu o tiro pela culatra ao pobre Passos que caíra em desgraça, já que veria emergir na área do seu próprio partido uma personalidade que teria perfil vencedor e que não precisaria nem do PSD nem do seu presidente para ser eleito. Eis a prova provada de que Passos começara a sucumbir em todas as frentes da política nacional e comunitária.

Passos levou a sua estratégia diabólica a um tal limite que não hesitou em formar governo sem a maioria parlamentar na AR, já que negligenciou a capacidade de entendimento das esquerdas (depois corporizada na famosa geringonça); e mais, foi ao ponto de invocar a ideia de um segundo resgate a Portugal como método para forçar uma crise política, já que seria nela que veria a sua oportunidade de ouro para antecipar eleições e, desse modo, obter a tão desejada maioria absoluta que o salvaria do abismo político em que acabara por cair. Apostou tudo nessa diabólica estratégia mas, mais uma vez, e apesar de formar aquele governo ridículo (empossado pelo igualmente ridículo locatário de Belém/sr. silva), a votação parlamentar da geringonça acabou por matar o sonho da dupla de pantomineiros - Passos & Portas (e cavaco) - que durante quatro anos apenas impuseram a austeridade a Portugal e aos portugueses sem, com isso, conseguir eliminar a pobreza, o desemprego, as falências, a emigração em massa e o mais...

No desespero do desespero, e já na oposição e de face perdida, a "ética" de Passos ainda abre mão das sanções da Europa contra Portugal (como método para a sua salvação política!!). Mais uma vez, o diabólico Passos teve azar: não só o orçamento da geringonça se aprovou (como tem um segundo em vias de ser aprovado); na frente económica, o INE dá conta do crescimento do PIB e da saída da economia nacional do chamado procedimento por défice excessivo - o qual nos imporia as tais multas e promessas de congelamento de fundos, os quais seriam catastróficos para a nossa sustentabilidade. Ora, foi tudo isso que o governo da geringonça ultrapassou, e essa circunstância ajudou ainda mais a soterrar politicamente o pobre Passos Coelho, que hoje mais parece um leão velho e sem pelo a vaguear sem norte por um território que ele já não patrulha.

Nem a capital parece já interessar ao PSD, já que se afigura o apoio a Assunção Cristas/cds para candidata a Lisboa nas próximas eleições autárquicas. Ora, se isto não é o grau ZERO da política do PSD e de Passos Coelho em concreto - não sei o que representará essa falta de planeamento político por parte do maior partido nacional. 

Em suma: mesmo com a novela mexicana da CGD, Passos Coelho parece viver exilado no seu próprio país. E mesmo com a subida dos impostos dos combustíveis contrabalançada com a devolução de rendimentos aos fp´s e pensionistas - a despesa do Estado manteve-se, e tem sido essa sustentabilidade (precária!!) que tem permitido ao Governo da geringonça receber notas sofríveis da agências de notação financeiras e, ao mesmo tempo, obter luz verde da Europa para a continuação dos fundos à economia nacional, agora sob um velho-novo qualificativo de que somos, afinal, o melhor aluno da Europa.

No fundo, parece que a estória se repete, para mal dos nossos pecados. E apesar do alívio momentâneo na economia e nas finanças públicas, tudo o mais arde em lume brando nas divisões mais recônditas da casa dos portugueses.

Uma casa à portuguesa e em que o ex-PM e actual liderzinho da oposição não hesitou em vestir a pele do diabo para se tentar salvar do afundamento a que os portugueses há muito já o votaram. 

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Passos Coelho, Obama E O Papa Conhecem O Diabo…

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ANEDOTA: Passos Coelho, Obama E O Papa Conhecem O Diabo…

O Passos Coelho, o Obama e o Papa viajavam juntos no mesmo avião, quando aparece numa das asas o Diabo com uma enorme serra e começa a serrar a asa da aeronave.
Quando viram o Diabo ficaram apavorados, e o Passos Coelho vira-se para o Obama:
– Obama, você que sabe falar e argumentar como ninguém, convença o demónio a parar com isso senão vamos cair e morrer todos!!!
Obama foi até lá, conversou… conversou… e nada do demónio parar…
Obama voltou e implorou ao Papa:
– Papa, só o senhor nos poderá salvar… Ele não quer nem conversa… vai mesmo derrubar o avião !!!
O Papa foi até ao Diabo, usou de toda sua persuasão, argumentou o que pôde… e nada… Desistiu, voltou e resumiu a conversa:
– Não sei o que fazer… Estamos perdidos… Vamos rezar!!!
Foi quando o Passos Coelho se levantou e disse:
– Deixem comigo… Sou a última chance, vou tentar.
E lá foi ele falar com o Diabo. Mal trocaram duas palavras o Diabo parou de serrar a asa do avião… e desapareceu.
Obama e o Papa ficaram surpreendidos e perguntaram:
– O que é que você lhe disse?
– Eu apenas lhe disse: Companheiro… se eu morrer, vou formar governo no Inferno!
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